Defender o governo Dilma/PT é defender a velha ordem que oprime as mulheres do povo

nota mfp2

As mulheres, como os homens, são reacionários, revolucionários ou centristas. Portanto, não podem combater juntas a mesma batalha. No atual panorama humano, a classe diferencia mais os indivíduos que o sexo”. (José Carlos Mariátegui, As reivindicações feministas, 1924)

O país vivencia uma crise econômica e política. Deve-se a isso sua condição semicolonial, de subjugação ao imperialismo. E a legitimidade deste velho Estado putrefato, que tentou ser salva através da eleição do oportunismo travestido de esquerda, cada vez mais, é posta em cheque. O governo Dilma/PT afunda o país em desindustrialização, alta dos juros, quebra das pequenas empresas, desemprego, endividamento público, e soma-se a isso os cortes dos direitos trabalhistas e o desmonte do sistema público de saúde e educação.

Desde a última farsa eleitoral, para conservar-se na gerência do velho Estado, o governo do PT investe na criação da falsa polarização onde o povo se vê obrigado a escolher entre a “direita golpista” e conservadora ou a “esquerda” eleitoreira, que pode ser corrupta, porém “menos pior”.

A mais nova polêmica desta falsa dicotomia é o combate a figura de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos deputados, pertencente a bancada evangélica, e agora, arquirrival do governo PT por representar a “direita golpista” e levar a frente os pedidos do impeachment de Dilma.

Lembremos que a bancada evangélica, tendo Cunha como principal referência, fez parte da base de apoio para a reeleição do atual governo, Dilma/PT. Não foi problema algum para o oportunismo acordar com o projeto de medidas reacionárias dos evangélicos – que na verdade estão em consonância com o próprio projeto de Estado do PT – em temas como a eutanásia, o aborto e a homofobia.

Cunha é hoje alvo de protestos feministas, hegemonizados pelos oportunistas em defesa da gerência de turno. A última lei posta em pauta por Cunha, a restrição mais rigorosa ao aborto, está sendo o pretexto perfeito do PT e seus correligionários para que caia no esquecimento o conluio entre todos os partidos.

A prova de que são todos partes de um Partido Único (PT, PSDB, PMDB, DEM, etc.) anti-povo é o governo de Dilma/PT ter se posicionado, desde o início, abertamente contra o aborto. O PT em seus 13 anos à testa do Estado, prossegue criminalizando e matando, segundo a ONU, mais de 200 mil mulheres por ano por conta de abortos inseguros.

Colocar os direitos da mulher em pauta em prol da defesa desta falsa polarização é servir à legitimação do sistema de opressão contra a mulher, representado pelo Velho Estado.

A questão feminina

A opressão feminina é uma questão de classe. E o Estado, representante das classes dominantes, é o responsável por perpetuar esta opressão. O PT, seguindo a cartilha ditada pelo latifúndio, a grande burguesia e pelo imperialismo, mesmo tendo à testa de sua gerência uma mulher, assassina milhares de mulheres do povo – e aqui nos referimos às mulheres das classes trabalhadoras –, todos os dias, sobretudo no campo e nas periferias das grandes cidades, negando-lhes saúde, educação, creches, emprego, salários dignos, bem como a seus filhos.

Mantenedor da sociedade de classes, o Estado certifica que as mulheres proletárias sejam duplamente exploradas, por seus patrões e pelos patrões de seus maridos. O trabalho doméstico, invisível e não remunerado, serve a perpetuação do sistema de exploração, garantindo a reposição diária da força de trabalho, sem custos adicionais ao patrão e com o bônus do trabalho alienante para a mulher.

Presa a essa dupla exploração, a mulher é amortizada e impedida de tomar parte na luta de classes.

O Estado burguês-latifundiário serviçal do imperialismo é o real inimigo de todas as mulheres do povo. Sua extinção é condição sem a qual não há a libertação da mulher e de toda a sua classe. O governo Dilma/PT é a força política que gerencia este velho Estado reacionário. Portanto, é impossível combater a opressão feminina sem desmascarar este governo.

O aborto

O aborto é uma pauta de luta das mulheres proletárias por sua emancipação.

Note-se que é tão prejudicial simplificar as pautas do movimento feminino ao direito individual de cada mulher a seu corpo, quanto traduzir a vitória da mulher na forma de conquistas de leis e políticas públicas.

A proibição do aborto na verdade serve a perpetuar a dupla opressão da mulher do povo, como trabalhadora e mãe. A legalização do aborto é um direito democrático a ser conquistado pelas mulheres em luta, mas não significa, em si mesma, a própria libertação feminina, impossível nos marcos da velha ordem semicolonial e semifeudal.

Vale lembrar que à mulher burguesa o aborto é permitido visto que basta pagar clínicas caras para que o procedimento seja executado de forma limpa, segura e discreta; quando não viajam a países onde o aborto é legalizado. Enquanto isso, a mulher proletária é obrigada a se submeter aos mais bárbaros métodos em clínicas clandestinas, com altos índices de mortalidade.

A condenação moral e criminalização de quem pratica o aborto é necessidade da manutenção da ordem dominante, em que a mulher é totalmente subjugada e obrigada a viver sob condições de profunda opressão.

É direito da mulher ter um pleno desenvolvimento humano, participando de toda produção social. Para isto não se pode permitir que um embrião que não é um ser humano impeça este desenvolvimento. A participação na vida política, cultural e econômica é chave para o desenvolvimento da condição da mulher. É por isto que a conquista do direito ao aborto faz parte do avanço e emancipação da mulher e da sociedade.

As lutas das mulheres do povo são lutas de toda a sua classe, e não podem ser traficadas e moldadas pela burguesia para servir a seus interesses, tal como o governo de Dilma/PT e toda a canalha reformista tem feito. Esses oportunistas levantam bandeiras históricas da luta das mulheres, quando lhes convém, apenas para pisoteá-las, uma vez que seu governo em nada avançou quanto àquelas pautas.

Apenas a mobilização classista das mulheres, independente e oposta a todos esses partidos eleitoreiros, poderá ser capaz de alterar o atual cenário de retirada de direitos sociais e aumento da repressão e de garantir desde já a luta pela sua emancipação. Não devemos esperar salvadores ou salvadoras da Pátria, e sim, como canta o Hino da classe operária, fazer com nossas mãos tudo o que a nós diz respeito. Não será pelo voto, mas pelo engajamento crescente das mulheres na luta revolucionária, ombro a ombro com os homens de sua classe, que sua libertação será conquistada.

Pela descriminalização do aborto!

Fora Dilma, fora PT, governo de banqueiros, transnacionais e latifundiários!

Despertar a fúria revolucionária da mulher!

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