Porque as jovens mães não prosseguem seus estudos?

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A revolução industrial com o advento das máquinas foi o fator fundamental que permitiu ao capitalismo explorar não só a mão de obra feminina, mas também a infantil. O ingresso da mulher no mercado de trabalho não serviu para aumentar a renda familiar, mas a partir desta expansão da oferta de mão de obra, serviu a reduzir de tal forma o já parco salário do operário que este, para manter mesmo as mais miseráveis condições de vida, precisava colocar à serviço do capital, toda a sua família.

Família esta que permanece sendo “cuidada” pela mulher, responsável desde a manutenção da casa, alimentação, limpeza, trato com as roupas e etc., até a educação dos filhos. Sendo assim, esta mulher, a mulher das classes populares, ao ingressar no mercado de trabalho por uma necessidade do capital, começou a ser duplamente explorada, tendo para si pelo menos duas jornadas de trabalho.

De lá pra cá pouca coisa mudou. A mulher ainda é responsável pela manutenção da casa e da família. Suas obrigações para com o lar são infinitas, invisíveis e inacabáveis. Seu trabalho, considerado improdutivo, é desqualificado e a brutaliza. Por mais que se fale em divisão de tarefas, é a elas que cabe a empunhadura da vassoura, o endurecimento da pele pelo uso contínuo dos produtos químicos de limpeza, o inesgotável serviço de cozinha. Quantas são as mulheres que se levantam horas mais cedo (ou vão se deitar horas mais tarde) a fim de garantir a marmita do marido, o almoço das crianças, antes de sair para sua própria jornada de trabalho? Quantas são as mulheres que, conseguindo uma vaga na creche para seus filhos, não precisam fazer malabarismo com os horários de entrada e saída para conciliar com seus horários de serviço?

E quantas são as mulheres que tem filhos e que podem se dar ao luxo de não trabalhar para prover seu sustento? Principalmente as mães jovens, solteiras. O que isso significa na vida dessas mulheres? Como sustentar uma família e continuar seus estudos? É absurdo o peso que a sociedade coloca nos ombros dessas jovens. Sem nenhum tipo de direito à moradia, educação de qualidade e saúde, quantas delas não se veem desamparadas, atendidas apenas por programas assistencialistas eleitoreiros como bolsa-família, que as mantém na pobreza e na miséria de viverem dependentes de um Estado que, a cada crise, arrocha cada vez mais seus poucos direitos.

Não é à toa que segundo uma análise feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2012, divulgada nesta sexta-feira (29) e publicada pela Folha de São Paulo, aponta que “O abandono da escola e a ausência no mercado de trabalho eram ainda mais expressivos entre as mães mais jovens. Na faixa entre 15 e 17 anos (idades correspondentes à matrícula no ensino médio), 88,1% das mulheres estudavam. Esse percentual recuava para apenas 28,5% entre aquelas que tinham filhos. (…) Para Ana Lucia Saboia, coordenadora da pesquisa, há uma “ligação estreita” entre a maternidade e a ausência da mulher do mercado de trabalho e na escola.”. Ainda segundo o G1, “Apenas 10% das mulheres de 18 a 24 anos que têm filhos estudam.”.

Essa “ligação estreita”, que observamos entre ter filhos e não completar os estudos, é produto direto da sociedade de exploração do homem pelo homem. É resultado de uma opressão milenar que recai sobre as mulheres desde o início da propriedade privada e do surgimento da sociedade de classes. A estrutura familiar no capitalismo serve como uma célula econômica extremamente lucrativa, onde a reposição das forças de trabalho do operário, bem como a “produção” de novos trabalhadores é função extra, exclusiva e gratuita da mulher.

É claro que tamanha exploração na base econômica, exige em peso e proporção uma dominação ideológica e cultural que inferiorizem e alienem a mulher desde a tenra infância, quando esta recebe dos pais, da escola, da igreja, do Estado, enfim, uma educação totalmente diferenciada, “apropriada” ao seu gênero. Aprendendo inclusive, desde as tenras brincadeiras de bonecas, a não se sentir uma mulher completa se não for mãe.

Estando então, a opressão de gênero, intimamente relacionada à sociedade capitalista, não será a luta por reformas que fará da mulher um ser humano emancipado, igualitário nos marcos do limitado direito burguês, e sim a luta pela transformação cabal de toda a sociedade. Só a destruição do sistema capitalista e a construção de uma sociedade justa e sem classes possibilitará às mulheres alcançar sua verdadeira libertação, é o que mostra os exemplos das experiências socialistas da China popular e da URSS.

Sobre o direito à creche no socialismo, questão fundamental para que as mulheres possam ter filhos e consigam realizar suas tarefas e seus projetos pessoais, reproduzimos a seguir parte de uma matéria publicada em 2006 pelo jornal A Nova Democracia:

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“As revoluções proletárias do século XX provocaram uma reviravolta na condição da mulher e da infância. Nas repúblicas socialistas, as mulheres abandonaram a condição de submissão a que estavam submetidas há milênios e ocuparam as fileiras dos exércitos populares, as universidades, os mais diversos postos de trabalho e de comando do Estado proletário. E mais, ousaram desafiar a cultura burguesa que as relegava ao papel de ama doméstica.

A ampliação considerável do número de creches foi, para a mulher, uma das maiores realizações da construção socialista porque, de fato, é a existência destas instituições que permitiu a ela participar de todas as atividades laborais, sociais e políticas.

A política de construção de creches foi semelhante em todas as repúblicas socialistas. Na URSS revolucionária — antes do advento do revisionismo no poder, em 1953 — era expressamente proibido construir qualquer grande imóvel sem o plano de construção de uma creche com os leitos necessários. De 14 creches com número de vagas desconhecido, antes de 1917, a Rússia passou a ter mais de 365 mil vagas em 1932 nas cidades, quando o Comissariado do Povo para a Saúde Pública ainda considerava o serviço deficiente.

Tanto na União Soviética quanto na China, pelo tempo que vigorou a revolução, as creches localizavam-se nos locais de trabalho — possibilitando às mães a amamentarem seus filhos — e nos bairros habitacionais facilitando a locomoção para a creche, o trabalho e a residência. Na China, os bairros industriais possuíam uma creche por quarteirão e os bairros mais povoados, uma creche para cada uma ou duas ruas. Os pais tinham uma participação muito pequena nos gastos. A maioria dos recursos provinha dos fundos das fábricas, dos fundos coletivos dos bairros e do próprio Estado.

Ao contrário dos países dominados pelo imperialismo, as creches não eram depósitos de crianças. Longe de separar a criança da família, as creches as inseriam na sociedade, educavam-nas a respeitar o trabalho coletivo e os trabalhadores, a ciência e a natureza. Além do mais, as crianças tornavam-se independentes pelas suas atividades e, ao mesmo tempo, socializadas em função da forma coletiva dessas mesmas atividades. Aprendiam a se vestir, a lavar-se e a cuidar de sua higiene pessoal etc., a organizar o seu espaço e a produzir intelectual e materialmente, de forma individual e coletiva.

A maioria das creches funcionava ininterruptamente. Assim, de acordo com o tempo disponível em função das atividades desenvolvidas, as famílias optavam por levar as crianças para casa todos os dias, outras vezes somente nos finais de semana ou mesmo alguns dias durante o mês. Esta forma de funcionamento garantia às mulheres o seu direito ao tempo livre: descanso, lazer, trabalho produtivo, ao estudo, e a desenvolver atividades artísticas, esportivas, culturais e políticas. O avanço da revolução no plano cultural permitiu grandes saltos pedagógicos e a própria direção das creches, inicialmente restrita aos especialistas, passou a contar com a presença de operários, camponeses e até mesmo de crianças.

Os Kolkhozes e Sovkhozes soviéticos tinham suas próprias creches. As creches permanentes, nas aldeias, ainda existiam em pequeno número. A maioria das instituições eram “creches de verão”, isto é, funcionavam por 6 meses, devido aos trabalhos no campo. Funcionavam do amanhecer até o término dos trabalhos agrícolas e, algumas, contavam com serviços ambulantes que levavam os filhos para que suas mães pudessem amamentá-los. As creches ambulantes também atuavam na politização, realizando palestras, mostras de livros e leitura de jornais durante o almoço e os intervalos.”

Pra mulher se libertar de toda a opressão,

Só com a luta proletária e a revolução!

FONTES:

Jornal A Nova Democracia: http://www.anovademocracia.com.br/no-29/488-o-direito-a-creche-e-a-questao-do-aborto-sob-o-socialismo

Folha de SP: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/11/1378278-um-em-cada-cinco-jovens-nao-trabalhava-nem-estudava-em-2012-segundo-ibge.shtml

G1:http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/11/apenas-10-das-brasileiras-jovens-com-filhos-estudam-aponta-ibge.html

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